
Um aspecto importante do Planejamento Urbano, principalmente do Urbanismo é o conhecimento, mesmo que superficial, do comportamento das pessoas em ambiente público. Qual é a postura das pessoas em relação ao espaço público.
Lembrando o livro Dimensão Oculta, de Edward T. Hall, ó comportamento tanto dos animais como dos homens diferem pela própria natureza e pela cultura. Enquanto os cisnes evitam se aproximarem, os leões marinhos se aglomeram, quase que se empilhando uns sobre os outros. Enquanto os escandinavos procuram manter-se distantes uns dos outros ( diz um finlandês arquiteto, que na Finlandia, se num lago estiver um pescador, próximo pescador irá certamente se posicionar do outro lado do lago), os latinos gostam da proximidade - são gregários. O mesmo arquiteto finlandês, Kari Yarnefelt observou que indo à praia de Copacabana numa manhã, encontrou-a deserta e porisso agradável, pelos padrões escandinavos. A sua surpresa, foi que aos poucos outras pessoas chegaram à praia, e foram se instalando ao redor de sua familia, quando havia todo o restante da praia completamente disponivel.
Como se planeja uma praça? Um local de uso público difere do espaço arquitetônico, onde o arquiteto impõe algumas limitações, como por onde entrar ( ao definir a posição das portas), e por onde olhar o mundo exterior ( ao posicionar e dimensionar as janelas), e até controlar a temperatura, a umidade, a iluminação e o nível de ruídos que as pessoas vão receber. O arquiteto tem poderes de condicionar o uso do espaço. Pode-se dizer que tem esse poder de impor, e que incorre às vêzes em situações de desconforto quando decide que o espaço, a estrutura, os fechamentos e aberturas, além dos materiais, estão sendo utilizados como elementos escultóricos, colocando o usuário em plano secundário. Enfim, utiliza o seu projeto em benefício próprio - de auto promoção.
No espaço de uso publico ocorre exatamente o oposto. Não se obriga alguém a circular onde o caminho fica melhor como composição visual, nem a sentar num banco de jardim porque o arquiteto quer impor de terminados usos. Cada um circula como quizer, até sobre o gramado; senta onde quizer, até mesmo no chão, desprezando os bancos mal posicionados. E vandaliza os ambientes que não correspondem às suas necessidades de uso do espaço público.
E temos ainda um complicômetro cultural, pois o brasileiro vem de várias raças e culturas, além das influencias regionais de um País de grandes dimensões. Enquanto o oriental respeita o espaço público, o árabe tem a prioridade para o espaço privado, chegando, segundo Hall, a beliscar o traseiro de mulheres que não sejam parentes e amigos.
O Brasil surgiu com donos ( capitanias hereditárias), concessões de terras ( sesmarias) e latifundiários ( terras sem uso), e propriedades que passam de geração em geração com impostos pífios, deixando a maior parte da população rural sem condições de desenvolvimento futuro por exclusão de terra.
Assim, é interessante estudar esse comportamento do brasileiro em espaço público, onde considera que o território público é terra de ninguém, os recursos naturais são para serem depredados e explorados sem nenhuma preocupação de extinção, etc.
É também interessante saber como se formou essa cultura da depredação, que deve ter-se iniciado com as capitanias hereditárias e sesmarias ( afinal, o que os sesmeiros produziam?).
Deixo algmas questões para serem respondidas.
O espirito do latifundio persiste nas áreas urbanas?
A reforma agrária não poderia ser simplesmente resolvidas pelos altos impostos de herança sobre imóveis, como ocorre no Japão, Estados Unidos e outros países, onde se taxa até 60% sobre o valor do imóvel?
Por que o brasileiro não tem amor a propriedade, com a maioria dos imoveis sem acabamentos e sem manutenção?
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